Capítulo 08, Parte 05
O chão sob os nossos pés balançava conforme caminhávamos. Era como se estivéssemos sobre uma crosta flutuante feita de terra preta e (mal)reforçada com as fibras do capim. Mais adiante havia uma valeta muito peculiar. Ao invés de água, corria por ela um barro preto. Os barrancos também eram estranhos. A parte de cima era a parte mais estreita, e ia alargando-se até sumir dentro do barro. Isso só contribuía ainda mais com a minha teoria da crosta flutuante.
Decidimos atravessar a valeta para ver o que tinha do outro lado. Na verdade só queríamos provar um para o outro que a gente conseguia pular aquela valeta. E pulamos.
Do outro lado a grama rasteira do brejo dava lugar a moitas altas e densas de um capim conhecido como rabo-de-burro. Algumas hastes eram mais altas do que eu. Mesmo assim íamos desviando das moitas e seguindo em direção contrária a valeta de lama até que chegamos a uma cerca de arame farpado. Do outro lado da cerca havia uma floresta densa de serrado onde não pretendíamos nos aventurar e onde certamente não haveria nenhum animal atolado.
Voltamos pelo mesmo caminho até a valeta e assim que cheguei perto tomei impulso e me joguei para o outro lado, sem prestar muita atenção onde tinha pulado. Aterrissei do outro lado, me voltei para trás para supervisionar o salto do Brayan e fiquei muito espantado com o que vi. Saindo do barro havia as costas largas de uma sucuri. (Continua)
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