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Logo que chegou no Corixão meu avô tratou de plantar uma roça. Mandioca, abóbora, moranga, banana, cana, batata doce... O problema é que haviam tantas pragas quanto plantas. Nuvens brancas de pulgões — ele os chamava de "birú" — se lançavam no ar toda vez que as folhas dos pés de mandioca balançavam. Também haviam muitas lagartas e percevejos. Os insetos enfraqueciam as plantas e, consequentemente, reduziam a produção. Prejuízos pequenos, se comparados aos casados por animais maiores. Cotias, tatus, tucanos e até antas faziam do lugar um restaurante com comida grátis. Para tentar impedir a passagem dos intrusos meu avô instalou uma tela ao redor. Eficácia garantida, ao menos contra antas e cotias. Mas os espertos tatus cavavam seus túneis por baixo da cerca. E ainda sobravam os tucanos que... bem, os tucanos voam.
A roça ficava do outro lado do corixo, a mais de quilômetro da sede. Certa vez fomos eu, meu avô, um dos peões da Santa Cruz e o Brayan, meu irmão do meio, até a roça para fazer reparos na cerca. Eu devia ter uns 14 anos e meu irmão uns 9. Ficamos tempos assistindo os mais velhos a remendar os arames da tela. Tanto tempo que até enjoamos. Vez ou outra a gente até ajudava pegando uma ferramenta ou coisa assim, mas nada de muito relevante. Percebendo que já estávamos inquietos, sem ter nada pra fazer, meu avô sugeriu que déssemos uma volta no brejo que ficava no campo da beira do corixo para ver se não tinha animal atolado. Aquela era mesmo uma missão relevante, já que era época de seca e o ambiente estava propício para que os animais desavisados que se aventurassem pelo brejo ficassem atolados.
O brejo todo devia ter a extensão de dois ou três campos de futebol, mas com formato circular. Um dos lados tinha o solo um pouco mais firme e se estendia até uma faixa de floresta que começava na roça, a meio quilômetro, mais ou menos, na direção contrária de onde seguíamos. O outro lado, que era o que beiradeávamos, era a parte crítica. Me lembro de, por duas ou três vezes, ter ajudado a remover vacas dalí com o trator. (Continua)
A roça ficava do outro lado do corixo, a mais de quilômetro da sede. Certa vez fomos eu, meu avô, um dos peões da Santa Cruz e o Brayan, meu irmão do meio, até a roça para fazer reparos na cerca. Eu devia ter uns 14 anos e meu irmão uns 9. Ficamos tempos assistindo os mais velhos a remendar os arames da tela. Tanto tempo que até enjoamos. Vez ou outra a gente até ajudava pegando uma ferramenta ou coisa assim, mas nada de muito relevante. Percebendo que já estávamos inquietos, sem ter nada pra fazer, meu avô sugeriu que déssemos uma volta no brejo que ficava no campo da beira do corixo para ver se não tinha animal atolado. Aquela era mesmo uma missão relevante, já que era época de seca e o ambiente estava propício para que os animais desavisados que se aventurassem pelo brejo ficassem atolados.
O brejo todo devia ter a extensão de dois ou três campos de futebol, mas com formato circular. Um dos lados tinha o solo um pouco mais firme e se estendia até uma faixa de floresta que começava na roça, a meio quilômetro, mais ou menos, na direção contrária de onde seguíamos. O outro lado, que era o que beiradeávamos, era a parte crítica. Me lembro de, por duas ou três vezes, ter ajudado a remover vacas dalí com o trator. (Continua)

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