Capítulo 07, Parte 08

          Fizemos a troca dos animais e, logo em seguida, os peões que estavam na ronda também fizeram, substituídos na função pelos que já estavam com as tralhas prontas. Apesar de o cozinheiro estar sempre dizendo que não precisava de ajuda eu insistia em ajudá-lo, sobretudo em ocasiões de maior correria, como em troca de animais. Com três buçais na mão pedi a ele que me apontasse dois animais de carga para que eu pudesse auxiliá-lo no serviço. Depois saí puxando o meu burrão vermelho e dois cargueiros para perto de onde estavam as tralhas. 
         Quando saímos, depois de passamos um bom tempo arrumando as tralhas, o sol estava no pico. Era exatamente meio-dia e o calor, apesar de eu achar que não fosse possível, se intensificara ainda mais. Seguíamos na direção que o peão forasteiro havia explicado. Segundo ele faltavam cerca de duas léguas até a Belém, o que dá 12 quilômetros. Não é muito distante, mas, para percorrer em marcha de burro, demora um bocado.
          Horas se passaram e o sol perdeu uma parte de sua força. Além de cansativa a aventura tonava-se também um pouco monótona, apesar de a paisagem ser bastante atraente. Apáticos e exauridos eu e Kelé pouco conversávamos. Em partes porque teríamos de falar mais alto graças ao barulho dos polacos logo ali em frente. O cozinheiro procurava não demonstrar, mas já estava ficando com medo de termos errado o caminho. Felizmente, depois de cavalgarmos mais um pouco, avistamos a sede de uma fazenda com uma pequena placa de madeira no portão de entrada que trazia gravado "Faz. Belém". (Continua)          

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