Passaram-se mais alguns minutos até que pudéssemos avistar a nuvem de poeira despontando no horizonte. Apesar de ainda tratar-se de um número pequeno de animais, a nuvem era densa e podia ser vista de muito longe. Fiquei imaginando o quão densa seria a nuvem de poeira branca quando estivéssemos chegando no leilão, com os mais de mil animais previstos pelo condutor.
Não havia um cercado onde os peões pudessem prender o gado para poderem almoçar em paz. Então tiveram de fazer o que chamam de almoço de ronda. Metade almoçava enquanto a outra metade cuidava dos animais. Os primeiros peões almoçaram e, logo na sequência, montaram outra vez em seus animais, voltando para onde o gado estava reunido, próximo ao açude. Depois os outros que faltavam vieram e almoçaram também. Quando terminaram, trataram logo de reunir a tropa que pastava ao redor. Apenas Marcindo, Kelé, eu e o peão da Belém não participamos da ronda e almoçamos com certa calma. João, Guilherme e José foram os que almoçaram por último. Logo que terminou de comer, João tomou apenas um gole d'água das latas da cozinha e se dirigiu para ande estava o seu animal, pegando o laço e esticando para improvisar uma forma. Enquanto isso, Guilherme e José montaram em seus animais e "repontearam" a tropa até a forma onde eu, Marcindo e o peão visitante ajudamos a organizar os animais em fila.
Impossível não notar a calma com que aquele homens agiam, mesmo em momentos de correria, como naquele almoço de ronda. Os pantaneiros, de modo geral, são pessoas extremamente calmas. Me lembra de uma passagem que ouvi certa vez. Dizia que haviam alguns pantaneiros tomando tereré na sombra de uma árvore. Um deles estava sentado em um banquinho de madeira. Um outro, que estava sentado bem em frente ao que estava no banco, perguntou:
— Ocê não tem medo desse bicho te estranhar?
— Que bicho? — perguntou o outro?
— Essa jararaca embaixo do seu banco.
Com a mesma calma do início do diálogo, o que estava sentado no banco olhou e confirmou a presença do animal extremamente peçonhento. Depois retirou o banquinho e colocou ao lado do homem que havia lhe dado o aviso dizendo:
— Ô bicho inútil, vai deitar pra lá! (Continua)
![]() |
| Junior e Divino durante o almoço de ronda. |


Nenhum comentário:
Postar um comentário