Capítulo 07, Parte 06

          Encontramos a lagoa citada pelo peão, mas surgiu um problema. As árvores próximas da água não eram altas o suficiente e estavam cercadas por arbustos. Teríamos de montar a cozinha na sombra de uma árvore frondosa que ficava do outro lado da clareira, quase entrando no serrado e a uns 500 metros da lagoa. Nos dirigimos então para a sombra da tal árvore, onde soltamos os animais  e o cozinheiro começou a preparar as tralhas para cozinhar. 
          — Vou buscar a água, Kelé! — avisei, pegando os recipientes em meio as cargas distribuídas  no lastro improvisado. 
          — Não tem pressa não, jornalista. Pode ir devagarinho. Ainda vou demorar pra preparar tudo aqui.
          Com as latas na mão caminhei com dificuldade, calçado com as minha botas de cano longo, na areia macia e quente.  O sol castigava ainda mais o corpo já exausto e eu não me lembrava de ter passado tanto calor em toda a minha vida. Tinha quase certeza de que fazia mais de 40 graus. Quando cheguei na lagoa deparei-me com uma água morna. Além de não ser muito grande, não havia nenhum resquício de vegetação que pudesse proteger a água dos raios de sol, e também não devia ser muito profundo o buraco, cavado usando-se, provavelmente, uma raspadeira — scrap —, que é um reboque de trator que, como o próprio nome diz, vai retirando a terra em camadas. Da maneira como é feita, a menos que o buraco seja bastante extenso, o trator não pode cavar muito ou pode acabar preso dentro dele. 
            O peso das latas cheias deixou ainda mais difícil a caminhada. Só então entendi o que Kelé realmente queria dizer com "pode ir devagarinho". Eu andava uns 50 metros e parava, deixando as lata no chão para descansar os braços... mais cinquenta e parava novamente. (Continua)   
Açude no caminho para a faz. Belém

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