Capítulo 07, Parte 03

          O itinerário da viagem incluía uma passagem rápida pela fazenda Baía das Pedras para pegar alguns colchões. Carlinhos era quem conduzia o caminhão. Ao chegarmos na sede da Baía o motorista resolveu fazer uma pequena brincadeira com os passageiros que estavam na carroceria, estacionando o caminhão sob uma árvore que sabia que era infestada daquelas abelhas que grudam no cabelo. O ataque começou assim que o veículo parou no local. Entre zumbidos próximos aos ouvidos, mordidas no couro cabeludo e um cheiro bastante forte e peculiar, abandonamos a carroceria. Olhando para trás, enquanto corria, ainda pude observar Carlinhos caindo na gargalhada dentro da cabine, com os vidros fechados.
         Quando chagamos na Santa Cruz ficou decidido que as moças dormiriam no interior da sede, os rapazes na casa do capataz e nós, eu, meu irmão e mais alguns netos do patrão, que eramos molecotes na época, dormiríamos na varanda da sede. Na ocasião o capataz deixou claro que cederia um dos quartos da sua casa para os turistas com a condição de que eles não fizessem barulho à noite, pois ele dormia e acordava muito cedo. 
          Naquela mesma noite, quando já estávamos deitados na varanda da sede ouvimos o pessoal fazendo uma festinha, com direito a música e bebidas na casa do capataz. Isso não vai dar certo! Os visitantes estavam confiando no aval da neta do patrão, que era também a anfitriã. Ela disse que eles podiam ficar tranquilos que o capataz era meio sério mas era boa gente. De repente ouço um pipoco e todo mundo aparece correndo na varanda onde estávamos, carregados de colchões e cobertores. 
            — Caraca "mermão", o capataz ficou doido — disse um dos cariocas. 
            — O que aconteceu? — perguntei.
            — Meu, o cara lá sacou um revolver pela janela e meteu bala — explicou, ainda um pouco assustado. — Será que a gente pode dormir por aqui? (Continua)  
                          
           

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