Cumprimentei a todos antes de começar a ser questionado pelo senhor:
— Em que ano você está?
— No último. Estou viajando numa comitiva para escrever o meu TCC — expliquei, constrangido por ainda sentir um certo clima de desconfiança no ar.
— Quem é o seu orientador?
— É o professor Edson Silva.
A tensão abandonou o rosto do senhor.
— Ah sim, o professor Edson é muito meu amigo. Eu já fui reitor da UFMS. Como vão as coisa por lá?
— Ah... faltando muita coisa e os alunos quebrando o pau com o reitor.
— Os alunos estão sempre descontentes com o reitor — Jair se ajeitou na cadeira antes de prosseguir. — Quando encontrar o professor Edson outra vez, diga que eu mandei um abraço. E boa sorte na sua empreitada!
Agradeci o senhor e voltei a conversar com Luciano, que se mostrou bastante solícito depois que a minha história foi comprovada graças ao nome do meu orientador.
— É muito gado que vocês vem trazendo? — perguntou.
— Um pouco mais que duzentos, seu Luciano.
— Ah bom, não é muito. Pode por naquela manga, do outro lado da pista de pouso! — Luciano apontou em direção ao local. — Onde vocês estão acampados?
— Estamos ali nos fundos, debaixo de umas árvores, na beira da estrada que segue lá pra baixo — Apontei na direção onde Kelé havia ficado.
— Ótimo, podem ficar por ali mesmo! Só peço para que segurem um pouco a tropa, até eu decolar. Depois podem soltar aqui na pista. Vou pedir pro meu pessoal preparar um quarto pra você passar a noite aqui na sede.
— Obrigado, seu Luciano, mas só os piquetes já me bastam. Eu prefiro passar a noite lá com a companheirada mesmo.
Naquele momento, um dos jovens que assistia a conversa interrompeu dizendo:
— Tá certo! Peão de verdade não abandona os parceiros. (Continua)

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