Agradeci o proprietário, me despedi de todos e voltei para o acampamento. Kelé já havia deixado quase tudo pronto na cozinha, me pedindo ajuda apenas para buscar lenha e para armar a grande lona alaranjada sobre a cozinha. Provavelmente não choveria, mas, segundo o cozinheiro, havia uma pequena possibilidade por conta de algumas nuvens carregadas distantes.
Marcindo chegou algum tempo depois, sozinho.
— Jornalista, ocê falou com o pessoal da fazenda pra arranjar o pouso? — perguntou o condutor apeando do seu animal.
— Falei, seu Marcindo! O dono tá ai e arranjou aquele piquete, depois da pista de pouso, para por o gado, e falou que a gente pode soltar a tropa aqui mesmo, só que temos que esperar ele decolar com o avião primeiro — expliquei gesticulando para apontar os lugares.
— Tá certo! Cê tá ficando bom, Jornalista — Marcindo sorriu agradecido.
Naquela hora Kelé anunciou que havia café novo no bule. O saboroso café de Kelé. Uma doce recompensa depois de um dia tão exaustivo. Enquanto bebericávamos ouvimos o motor do avião acelerando em alta rotação. Em seguida a aeronave apontou no céu, fazendo uma manobra para seguir para o seu destino.
Não demorou para que a boiada surgisse na estrada, vindo em nossa direção. O condutor montou em seu animal e troteou até os peões que vinham na frente para indicá-los o caminho para o mangueiro do pouso. Em poucos minutos o gado estava fechado, a tropa solta e as redes armadas. Nêro e seu filho tomaram apenas um café, meio com pressa, se despediram de todos e depois partiram para chegar na Santa Aparecida antes do anoitecer.
As nuvens de chuva se afastaram ainda mais, então ninguém armou tolda sobre a rede. Agora só nos restava jantar e descansar até a próxima manhã. (Continua)

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