Capítulo 06, Parte 07

          A marcha da tarde foi curta. Passava um pouco das três quando chegamos ao mesmo local, nos fundos da fazenda Rancharia, onde almoçamos no outro dia. Com a troca dos animais depois do almoço não tivemos nenhum incidente com a carga.
          Já estava pronto para desarrear o meu burro quando ouvi Kelé dizer:  
          — Pode deixar que eu descarrego tudo aqui! Tem como você ir la na sede falar com alguém pra perguntar se a gente pode pousar aqui e pra ver se arranja um lugar pra prender o gado e a tropa?
          — Pode deixar, Kelé, já estou indo!
          Montei novamente no burrão e segui para a frente da sede, em direção ao casarão principal. Depois de uma certa altura foi possível avistar um Cessna estacionado próximo ao portãozinho de entrada, sob a sombra de um flamboyant. O patrão deve estar aí! Devagar, dei a volta no avião amarelo e parei na beira do murinho que rodeava a sede, um pouco pra frente do portãozinho de entrada. Lá dentro haviam algumas pessoas, entre elas um homem de meia idade que, assim que me viu, caminhou até a beira do portão e ficou observando a minha chegada. Apeei e amarrei a corda do cabresto em um dos varões de madeira que haviam sobre toda a extensão do muro, apoiados nos postes de madeira que dividiam a estreita construção.   
             — Boa tarde! — disse, um tanto envergonhado.
         — Boa tarde! — o homem me encarava com olhar de interrogação e ao mesmo bastante sagaz. — Quem é você, viajante?
          — Meu nome é Dener, eu sou neto do Belo, da fazenda Corixão — estendi a mão sobre o portão e o cumprimentei. — Sou aluno de jornalismo da UFMS e estou viajando em uma comitiva para escrever um livro-reportagem que será o meu Trabalho de Conclusão de Curso. Eu vim ver com o senhor se a gente pode acampar aqui hoje, e se tem lugar pra gente recolher o gado e a tropa. 
           — Pelo jeito que você chegou mal assentado nesse burro eu logo vi que você não era peão. Eu sou o Luciano, o proprietário aqui. Entra pra cá, faz favor! — ainda um pouco desconfiado, o homem abriu o portãozinho e deu sinais para que eu o seguisse até um pouco mais adiante, próximo ao alpendre e a porta de entrada do casarão, onde havia um senhor sentado em uma cadeira e dois jovens de pé, observando a cena. — Esse rapaz disse que faz jornalismo na Federal, Jair — disse ao senhor. (Continua)
                  
                     

Nenhum comentário:

Postar um comentário