Capítulo 06, Parte 05

          Eu cheguei do outro lado e fiquei escondido atrás de uma árvore com a foice na mão já no jeito pra acertar os porco. Dava pra ouvir o latido do Pipoca que vinha assustando os animal pro meu lado. De repente eles entraram no capão correndo e foram chegando perto... chegando perto... chegando perto... e quando passaram por mim eu peguei a foice e VAP... parti o Pipoca no meio.
          Fiquei bem sentido na hora. Eu matei o coitadinho do animal inocente. Mas, rapaz, de repente a parte da frente do cachorro levantou e saiu correndo e latindo atrás dos porco, andando só nas patinhas dianteiras. Eu ainda tentei alcançar, mas eles tava correndo muito. Quando chegou lá na frente os porco se separaro. Cada um seguiu prum lado. E o Pipoca mirou num e foi de atrás, latindo. Bem longe já pareceu que paro e ficou latindo num lugar só. Corri de atrás e alcancei. Pois o Pipoca num tinha acoado o porco numa moita de mato? Ram... não pensei duas vezes. Peguei minha foice, mirei bem na testa do porco e VAP... matei o bandido. 
           Ai, rapaz, eu comecei a ouvir um barulho meio esquisito lá longe. Falei pro Pip — que é só metade de Pipoca: 
           — Late baixo que eu quero ouvir!
           Tá bom! Assuntei bem nos ouvido e ouvi. No começo pensei que era até um trator passando ali por perto. O baruio era do modelo de um rosnado, mais ou menos. Na verdade, o baruio era mesmo que nem uns peido bem sortado. Prrrrruuuuu... prrrrruuuuu... prrrrruuuuu... e eu correndo de atrás. Quando eu assustei, que cheguei no lugar... pois o outro lado do cachorro não tinha acoado o outro porco. Ram... não pensei duas vezes. Peguei a foice e VAP... rachei a cabeça do animal [sic].

          Quando Toninho contou esse causo, numa roda de tereré à beira do galpão do Corixão, ele tentava parecer sério, alisando, vez em quando, o grosso bigode. De pé, em frente aos espectadores ele narrava e gesticulava os acontecimentos. Impossível não cair na gargalhada. Quando achamos que a história já havia acabado ele surpreendeu a todos com um desfecho ainda mais inusitado.

          Ocês não tão acreditando?! Pode ir lá na fazenda que ocês vão achar o Pipoca andando la pelo terreiro. Já tá gordo de novo. Mandei a cozinheira fazer um crochê na barriga dele. Tá novo, de novo [sic].     

                                                          ***

         Embora eu não tivesse a mesma desenvoltura de Toninho para contar o "Causo do Cachorro Pipoca", Kelé ria muito enquanto preparava o almoço e tomava algumas "cuiadas" de tereré. (Continua)

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