Capítulo 06, Parte 02

          — Você Marca o lugar onde as tralhas caíram que eu vou atrás do burro! — disse o cozinheiro que, apesar da situação, não parecia estar nervoso. 
         Kelé cercou o burro um pouco mais adiante e depois o puxou até uma cerca próxima, amarrando-o num poste. O arreio ainda estava preso ao seu corpo, só que virado para baixo, na barriga do animal. Enquanto Kelé ia preparando o burro, eu ia juntando as panelas espalhadas pelo chão e colocando de volta na bruaca, sem soltar o cabresto da mulinha que me seguia em meio à bagunça das tralhas esparramadas. Quando terminei Kelé se aproximava dizendo: 
         — Vamos baldeando devagarinho para perto do burro e depois a gente monta a carga.  
        Depois o que se ouviu foi um gemido do cozinheiro enquanto ele levantava a pesada bruaca para pô-la nos ombros. Ainda tentei correr para ajudar, mas não deu tempo. Saiu desajeitado caminhando com a carga em direção à cerca. Será que eu também consigo? Por Deus que tentei com todas as minhas forças erguer a outra bruaca nos ombros, mas não consegui. Conseguia até uma certa altura e depois não ia mais. Temendo derrubá-la e espalhar tudo de novo resolvi esperar Kelé voltar para pegarmos em dois. Mas ele chegou e disse que preferia carregar sozinho, pedindo ajuda apenas para colocá-la nos ombros. O ajudei e depois fui carregando os outros objetos, mais leves.
         — Agora vamos ter que colocar as duas bruacas ao mesmo tempo para a carga ficar equilibrada — disse o cozinheiro enquanto apertava mais um pouco a chincha do arreio do burro. — Você põe a do lado de lá e eu ponho a do lado de cá! Apenas erga a sua bruaca que eu engancho a corda no pino!
        Respirei fundo e ergui o baú, que devia ter, pelo menos, uns 50 quilos. Kelé também ergueu o dele, do outro lado. Ao mesmo tempo prensamos as bruacas contra o burro e contra o nossos peitos. Meus braços doíam e meus músculos tremiam. O cozinheiro ainda conseguiu deixar um dos braços livre para passar as cordas das alças sobre os pinos.
        — Pronto, pode soltar, Jornalista! (Continua)

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