Capítulo 06, Parte 01



3 de Agosto de 2008
De Volta à Rancharia

             A garoa da madrugada só serviu mesmo para interromper o sono. Sessou completamente depois de alguns minutos. Sem dificuldades voltei a dormir e só despertei novamente quando ouvi a conversa de entre Kelé e Marcindo ao redor do fogo, tomando o rotineiro mate. Me sentia bem melhor, em relação ao dia anterior. Estava descansado. 
            Desarmei a rede com o mosquiteiro e em seguida desamarrei a lona dos esteios e removi as estacas de metal. João me ajudou a dobra-la antes de eu poder guardá-la na bolsa e entregar ao cozinheiro, junto com o meu dobro. Depois ajudei João a também dobrar a sua lona, como forma de retribuir o favor.
            No café fui surpreendido por uma nova ordem do condutor:
            — Jornalista, agora você vai com o cozinheiro pra dar uma mão para ele. 
            — Sim senhor, seu Marcido! — respondi, um pouco preocupado com a notícia. Será que eu fiz alguma coisa errada? Talvez tivesse esquecido de tocar a tropa algum dia, mas, não. Não, pelos meus cálculos.  Depois pensei melhor e concluí que, como o condutor não conhecia muito bem o gado que iriam tocar a partir de então, se eram mansos ou se eram animais corredores que poderiam causar um estouro, era normal que ele recrutasse o Junior, que tinha mais experiência e que deveria ser muito mais ágil que eu caso alguma coisa acontecesse. Também seria uma boa oportunidade para eu acompanhar o dia dia de um cozinheiro de comitiva.
          Os peões nos ajudaram a carregar os cargueiros antes de partirem para buscar o gado que pousara em um piquete próximo da sede. No fim das contas acabamos partindo antes deles. 
         Enquanto nos afastávamos do campo da Santa Aparecida notamos que a carga de um dos animais começou a tombar. Ainda tentamos trotear para alcançar o animal antes de a carga cair, mas não deu tempo. Dobros, lonas, redes, bruacas... foi tudo pro chão. Uma das bruacas ainda se abriu espalhando pelo pasto um monte de panelas. Por sorte não era uma bruaca de mantimento. É preferível catar algumas panelas do que catar grãos de arroz e de feijão espalhados por um pasto! (Continua)

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