Capítulo 05, Parte 07

     Meio sem jeito levantei, tentando disfarçar a indisposição, e me afastei para onde João estava.
    — Boa tarde, Nêro! — Marcindo cumprimentou o sério capataz em seguida acenou com a cabeça para cumprimentar também o rapazote.   
     — Boa tarde, seu Marcindo! Tudo no jeito? — Perguntou o capataz.
     — Tudo pronto. Agora só falta você conferir para a gente poder soltar o gado. — Marcindo tinha descido da mula e se escorado no esteio da varanda, segurando, pelo cabresto, a mula que ficara às suas costas.   
       — Então vamos! Na volta eu pego a carne e a mandioca que você pediu — disse o Capataz.
       Enquanto o capataz e o condutor conversavam comentei com João que tinha intenção de pedir para pegar alguns cocos para beber a água. 
       — Eu acho que ele deixa sim — respondeu João enquanto se preparava para montar novamente. — Deixa para a hora que "nóis" voltar! Agora o serviço vai ser bem ligeiro. É só soltar o gado. Eu também quero ver se ele ele não me arranja um pedaço de couro pra eu fazer um rabo de tatu. 
      Os peões iam se afastando, montado nos animais. Atrás seguiam Nêro, o menino e Marcindo, que também ia a pé, puxando sua mula pelo cabresto. Antes de tomarem distância Junior perguntou:
      — O senhor quer que eu vá ajudar, seu Marcindo?
      — Não! A gente já volta. 
      O condutor tinha razão. Não demorou nem meia hora e eles já estavam de volta. Nem bem chegaram e João foi logo dizendo em voz alta:
      — Pronto, Jornalista! Agora você já pode pedir o que tava querendo para o Nêro! 
      Àquela altura o capataz já vinha direto em minha direção dizendo:
      — O João estava me dizendo que você é neto do seu Belo do Corixão — o capataz, já não tão sério, estendeu o braço para me cumprimentar. — Como que é o seu nome?
      — Meu nome é Dener. Você conhece o meu avô? — Perguntei.
      — O seu avô é muito gente boa, muito parceiro meu. O que você tá precisando? Pode pedir!
      — Nada de mais. Eu só queria pegar uns cocos desses para tomar água. — Respondi, meio constrangido. 
     — Opa, pode pegar sim. Eu só vou pedir pra você pegar daqueles pés que "tão" lá na frente daquela casa. — Nero apontou para a casa com grandes janelas de vidro. — É que o patrão sempre pega desses pés aqui do galpão para levar para a cidade. Mas é só isso que você queria?
     — Só. Agora, quem eu acho que também está querendo pedir alguma coisa é o João. — Respondi com a deixa para que João pedisse o pedaço de couro. (Continua)      

Nenhum comentário:

Postar um comentário