Capítulo 05, Parte 05

          — Tá gostando do churrasco de búfalo, Jornalista? — José perguntou.
        — Verdade que é carne de búfalo? — aquela informação era completamente nova para mim. 
        — Verdade! — Quem respondeu foi Marcindo, quase rindo, provavelmente da minha cara se surpresa.
         Eu não duvidava que a carne fosse realmente de búfalo. Haviam muitos criadores do animal na região. Um deles era vizinho do Corixão. Me lembrei do dia em que eu e meu avô fomos na tal fazenda, cujo capataz era o seu Lino, muito amigo do meu avô, e quando chegamos nos deparamos com alguns búfalos no mangueiro. No meio dos animais havia uma búfala com filhote que ficou na minha memória como um dos animais mais bravos que eu já vi. Nós ficamos do lado de fora da cerca de cabo de aço, mas, mesmo assim, a búfala corria em nossa direção e se jogava contra a cerca, querendo nos atacar. 
         As arancuãs começaram a sua algazarra costumeira e Kelé advertiu:
         — Dez horas!
         — Quer dizer que as arancuãs cantam todo dia às dez horas da manhã? — perguntei ao cozinheiro achando interessante aquela nova informação.
         — Isso mesmo! E de madrugada elas cantam às quatro horas — Kelé explicou.
         — Que horas são, seu Marcindo? — Eu queria confirmar a história
         — Dez e dez, mas meu relógio meio adiantado — Marcindo conferiu em seu relógio de pulso.  
         Os peões comeram mais um pouco da carne com farinha e voltaram, logo em seguida, para o mangueiro. Já haviam buscado os animais que levaríamos para o leilão, agora só faltava marcá-los com um número de identificação. 
         Mais uma vez o cozinheiro ficou correndo de um lado para o outro. Eu já não me lembrava de mais nada que pudesse anotar. Estava preguiçoso até para escrever. Continuei sentado no toco de madeira observando ao redor até que Kelé voltou da lagoa, onde fora, mais uma vez, buscar água, dizendo que lá tinha uma "jacaroa" muito brava, com filhotes. Resolvi verificar. Quem sabe posso até tirar umas fotos. 
         O animal estava em uma pequena ilha cercada de camalotes a uns dez metros da margem e, assim que me viu se aproximando, começou a nadar em minha direção. Eu já sabia que jacaré, quando está com filhotes, é capaz de sair da água para atacar, então me mantive um pouco afastado da água. Os filhotes ficaram na ilha e de onde eu estava só dava para ver os pequenos vultos se mexendo. Não seria possível fotografar os animaizinhos. A mamãe jacaré nadou até poucos metros antes da margem e ficou me observando. Tirei algumas fotos e voltei para o acampamento triste por não possuir um bom equipamento fotográfico capaz de captar os filhotes. (Continua)          

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