2 de Agosto de 2008
Dor de Garganta e Febre
O clima se manteve o mesmo durante quase toda a noite. O vento, os relâmpagos e os trovões anunciavam, mais uma vez, a chuva que não veio. Acabei acordando durante a madrugada, incomodado por uma inflamação na garganta. Deve ser o sereno e a poeira. Sentia também um moleza de febre, mas não ia incomodar ninguém àquelas horas. Esperava que o corpo reagisse naturalmente e que a febre sanasse a inflamação. Novamente adormeci.
Quando finalmente levantei a escuridão só me permitia ver que haviam algumas pessoas na beira do fogo, sem decifrar quem eram. Ninguém havia desarmado a rede, ou desmontado a tolda, o que me fez deixar as minha tralhas exatamente como estavam. Escovei os dentes, calcei a bota, vesti o meu velho casaco de couro e me dirigi para a cozinha.
— "Aoooo" jornalista, veio provar o café do "Kelé Mentino" também? — com uma xícara na mão, Divino parecia estar novamente tomado pelo bom humor matinal.
— Bom dia! — eu tentava parecer muito mais disposto do que realmente estava.
— Jornalista, hoje nós vamos ajudar o capataz daqui a encerrar o gado pra gente levar. Só vamos viajar de novo amanhã. Se você quiser pode ficar aqui no acampamento descansando. — A proposta do condutor não podia vir em melhor hora.
— Vou aceitar a proposta, seu Marcindo.
Ficamos todos na beira da fogueira até o sol começar a nascer. Os peões se mostravam bastante satisfeitos com o dia sem marcha. Depois que recolhessem o gado teriam o resto do dia livre pra descansarem também. (Continua)

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