O caminho que seguimos para sair da fazenda fantasma ainda passava por um mangueirão abandonado. O cercado de tábuas estava bastante deteriorado, e o mato la dentro estava mais alto que uma pessoa. Perguntei se alguém sabia o nome da fazenda, mas ninguém soube responder. Talvez Marcindo ou José soubesse. Vou perguntar quando encontrá-los.
Não demorou muito, chegamos na fazenda Santa Aparecida, onde seriam entregues os touros e o quarto de milha. As terras eram do mesmo dono da fazenda Vitória, onde pegamos os animais. Era uma fazenda extremamente bem cuidada. Todo o pasto da chegada estava aparado e, de longe, se via as construções enfileiradas. A primeira, mais ao norte, — vou chamar de norte para ficar mais fácil de entender, mas não tenho certeza quanto a direção exata — devia ser a casa do patrão. Era uma casa nova, com grandes janelas de vidro e estava rodeada por um pomar com muitas palmeiras, pés de limão, laranja, goiaba e muitas outras frutas. Seguindo para o sul haviam outras construções menores. Mas o que mais se destacava era o grande galpão, que ficava bem no meio, com garagem para os tratores e maquinários. No telhado estava escrito o nome da fazenda pintado com tinta branca em letras enormes. O conjunto de construções terminava em um mangueirão, aparentemente novo, que ficava mais ao sul, um tanto afastado das outras construções.
O capataz nos recebeu no portão de entrada da sede. Junto dele havia um rapazote para quem Marcindo entregou o quarto de milha. Imediatamente o menino se jogou para cima do lombo do animal saindo para dar uma volta, em pelo mesmo, como quem experimenta um carro novo. Em seguida, uma parte da equipe foi soltar os bois num piquete próximo, e outra, incluindo eu, voltamos para o acampamento.
O pasto da frente da fazenda servia para pouso de aviões, por isso estava tão bem cuidado. Por isso, também, não haviam árvores. A única, sob a qual Kelé armou a cozinha, ficava do outro lado, quase chegando numa grande lagoa. Postes de madeira fincados no chão evidenciavam que não eramos os primeiros a acampar ali.
Soltei o burrão vermelho antes de armar a minha rede com o mosquiteiro entre dois postes e estender as tralhas no maneador esticado entre outros dois poste, mais próximos um do outro. Depois fui até a margem da lagoa, pois já estava sem água de novo. Quando voltei, Marcindo alertou que poderia chover durante a noite, e que era melhor armarmos as toldas. (Continua)


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