Pouco mudou no cenário do início da nossa jornada vespertina, entretanto, depois de algum tempo, o revezamento entre capões de serrado e vazantes deu lugar a uma floresta diferente. Era uma floresta densa e úmida, como se houvesse um rio por perto. Outro fato novo era que, no local, havia uma subida que, embora não fosse muito íngreme, tratava-se de algo que achei que não existisse na planície pantaneira.
Depois de cavalgarmos algum tempo pela estrada que atravessava a floresta, avistei uma lagoa com água bastante limpa e fresca. Há tempos que a água do meu cantil havia se esgotado, e eu já estava com muita sede. José e Marcindo haviam se adiantado para achar um local para o nosso acampamento, de maneira que, quem estava comigo na culatra era Guilherme.
— Eu vou encher o meu cantil aqui nessa lagoa, mas você pode continuar a marcha! — informei a Guilherme que consentiu com a cabeça.
Apeei do burrão vermelho e deixei-o amarrado pelo cabresto em uma árvore na beira das bitolas do areão. Mais alguns metros de caminhada e já estava na beira da água. Com gosto, tomei vários goles antes de encher o cantil. Depois ainda lavei o rosto e molhei a cabeça para amenizar o calor.
Quando deixava a lagoa encontrei Kelé e Junior, que também apeavam para pegar água. Me despedi, montei no burro e segui viagem. Pouco depois ainda cruzei com os burros de carga, que seguiam pelo caminho, sozinhos, ignorando o fato de seus tocadores haverem parado alguns metros para trás. Deixei os burros para trás, com a sua "marcha barulhenta", e segui num trote ligeiro até encontrar o resto da turma.
O fim da floresta revelou uma das mais belas paisagens da viagem. Uma grande vazante se estendia até onde a vista pudesse alcançar. Restava pouca água acumulada numa lagoa que ficava bem ao lado da saída da floresta. Provavelmente a lagoa onde eu enchi o meu cantil era abastecida com aquela mesma água.
O lugar era cheio de construções. Mais adiante, há alguns metros da margem da vazante, havia uma casa de alvenaria, aparentemente nova. Ao fundo, sob a sombra de grandes jaqueiras e mangueiras, haviam outras construções, só estas aparentavam ser bem antigas e eram feitas de madeira. A fazenda estava completamente vazia, abandonada. Chegava dar pena.
O lugar era cheio de construções. Mais adiante, há alguns metros da margem da vazante, havia uma casa de alvenaria, aparentemente nova. Ao fundo, sob a sombra de grandes jaqueiras e mangueiras, haviam outras construções, só estas aparentavam ser bem antigas e eram feitas de madeira. A fazenda estava completamente vazia, abandonada. Chegava dar pena.
João e Divino seguiram em direção à lagoa para que os animais pudessem beber água. Eu ainda fiquei um tempo só admirando a paisagem antes de me tocar que aquilo dava uma foto maravilhosa. (Continua)
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| João e Divino, ao fundo, madrinhando os bois e a tropa. |


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