Nos dirigimos, os três, para onde estavam os pés de mandioca, e arrancamos alguns. Não era preciso muita força para arrancar as raízes do solo arenoso. O lado ruim era que, em geral, a mandioca cultivada no Pantanal acabava ficando cheia de fiapos, fato que provavelmente se deva a algum problema com o solo.
Conversamos um pouco e descobrimos que o homem com sotaque nordestino era Paulo Andrade, professor responsável pelas aulas na escola da fazenda. Ele nos contou que viera do Pernambuco há oito anos para lecionar no Mato Grosso do Sul. Sua escolinha abrigava 26 alunos e estava inscrita no projeto Navega Pantanal, que oportunizava inclusão digital às comunidades remotas do Pantanal. Segundo o professor, o pacote do projeto incluía, além do sinal via satélite de internet convencional, acesso à cartilhas eletrônicas, vídeos didáticos e aulas interativas, ministradas nos estúdios da Uniderp Interativa, em Campo Grande. Eu também aproveitei para lhe falar sobre o projeto do meu livro, dizendo que esperava que um dia ele também pudesse ser lido pelos alunos do professor.
— Quanto lhe devo, professor? — João perguntou referindo-se aos pés de mandioca, que valem ouro na região, tamanha dificuldade do cultivo.
— Imagina! Para mim vocês não devem nada. Apareçam sempre que passarem por aqui. E você, — virou-se para mim — boa sorte com o seu livro!
Nos despedimos do professor e voltamos para a cozinha, satisfeitos por termos conseguido a mandioca. Todos ficariam satisfeitos por poderem, por um tempo, desfrutar de um novo ingrediente nas refeições.
Um caminhão acelerava em alta rotação para vencer o areão nas bitolas fundas do caminho. Era Oscarzinho quem dirigia. Ele fora criado nas fazendas do pai de Joci, o grande fazendeiro José Lima, da mesma maneira como Carlinhos fora criado. José morreu e deixou, em seu testamento, um caminhão como herança para Oscar. Desde então ele faz frete pela região. Agora já possui dois caminhões e uma oficina mecânica em Campo Grande. Oscar parou e conversou um pouco com Divino, seu amigo de longa data. Em seguida continuou sua viagem no mesmo caminho que seguiríamos logo após o almoço.
Terminamos de comer, arreamos nossos animais e partimos, mais uma vez deixando o cozinheiro e o copeiro para trás. (Continua)

Nenhum comentário:
Postar um comentário