Quando o corredor terminou entramos em uma sequência de capões de serrado e vazantes quase sem água. Mais adiante passamos a beiradear uma cerca que aparentava ser nova. Já estávamos nas terras da Rancharia e, aparentemente, a marcha da manhã não seria tão demorada.
***
Minha avó me disse que Carlinhos, o motorista das fazendas Corixão e santa Cruz, iria "descer" (para o Pantanal) no sábado, dia 26 de julho, bem cedo, e que poderia me dar uma carona. Liguei para Carlinhos e deixei combinado. Das tralhas que precisava levar eu já tinha comprado o dobro, um pequeno alforge duplo (duas bolsas separadas por um suporte de, mais ou menos 50 centímetros, para que possam ser carregadas sobre animais de montaria, ficando uma para cada lado), a faixa de amarrar na cintura, e, embora já tivesse uma câmera digital, achei melhor comprar mais uma, para o caso de alguma estragar. Também comprei pilhas recargáveis, carregador e cartões de memória. Aparentemente não havia mais nada que eu pudesse levar de Campo Grande. Ainda era quinta-feira, e eu teria de esperar, impaciente, até a hora da viagem.
Acordei às quatro da madrugada, tomei um banho e, antes mesmo das cinco, eu já estava "no jeito" para viajar. Mesmo Carlinhos dizendo que não queria sair muito cedo eu sabia que ele costumava ser bastante "madrugadeiro". Liguei a TV para tentar me distrair um pouco, enquanto o tempo passava. E passou... já eram seis horas e nada de Carlinhos. Será que ele já foi? Tentei chamá-lo no celular, mas estava desligado. Será que me esqueceu aqui?
Eu estava tão atento que ouvi o caminhão se aproximando desde muito longe.
Coloquei meu dobro na cabine, para não pegar poeira, e o resto das tralhas coloquei na carroceria. Tudo pronto. Um forte e longo abraço em minha mãe e partimos em direção ao Corixão.
Coloquei meu dobro na cabine, para não pegar poeira, e o resto das tralhas coloquei na carroceria. Tudo pronto. Um forte e longo abraço em minha mãe e partimos em direção ao Corixão.
A distância da viagem não era muito longa, pouco mais de 200 quilômetros, mas demorava pra chegar porque 70 quilômetros eram de estrada de terra.
Quem chega no aterro da MS-228 pela primeira vez, na época da seca, se espanta com a quantidade de pontes que, aparentemente, não servem para nada. Sob a maioria delas não passa, sequer, uma gota d'água. Entretanto, quando vem a chuvarada, a planície se alaga e são necessárias muitas pontes para que tanta água escorra sem danificar o aterro. Eu mesmo pude constatar a diferença tirando fotos do mesmo local, a ponte sobre o rio Anhumas, em janeiro e em setembro de 2008, ano em que uma seca muito intensa castigou a região, a ponto de o rio Anhumas secar por completo. (Continua)
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| Ponte sobre o rio Anhumas em Janeiro de 2008. |
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| Ponte Sobre o rio Anhumas em Setembro de 2008. |



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