Quando o sol chegava no cume do céu a temperatura ficava quase insuportável. Até os pássaros ficavam silenciosos nessas horas. Devia ser perto de uma hora quando o condutor deu a ordem e eu fui atrás dos animais, alguns distantes quase um quilômetro. Toquei-os de volta para perto do acampamento onde João e Guilherme esperavam com um laço esticado a mais ou menos 50 centímetros do chão, para delimitar o local da forma, já que não havia nenhuma cerca por perto. Eu já estava muito mais experiente em mexer com os arreios. Até me surpreendi com a minha rapidez para retirar toda a tralha da mulinha e colocar no burro.
Partimos deixando para trás Junior e Kelé guardando as tralhas da cozinha. Alguns minutos depois nos ultrapassaram, como de costume.
Não era necessária muita atenção com os bois que tocávamos. Eles eram muito mansos. Por isso eu já estava a vontade. Às vezes eu ia lá na frente conversar com os peões da ponta. Às vezes, também, um dos peões da ponta vinha para a culatra prosear. Naquela tarde, Divino era o "visitante". José, que carregava dois grandes cantis, preparou um tereré, sem precisar apear, e agora servia enquanto cavalgávamos enfileirados. A água era fresca, mas estava muito longe de ser gelada, mesmo assim, é impossível descrever a agradável sensação de se tomar um tereré, montado em um burro, no meio do Pantanal. (Continua)

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