Capítulo 01, Parte 09

     Por ordem do condutor seguimos, eu, Junior e Kelé, pelo aterro, tocando os cargueiros e a tropa, enquanto os demais entravam em uma fazenda para buscar alguns animais que transportaríamos para mais adiante. Vez ou outra parávamos, e Kelé amarrava os burros de carga na cerca para apertar as chinchas. Ele disse que um dos burros de carga era muito jovem e tinha a barriga fina, de maneira que a cinta do arreio estava sempre afrouxando.
     Depois de cerca de uma légua pantaneira (6 quilômetros), nos reencontramos novamente. Os peões voltaram tocando 12 bois nelore bem mansos e bem cuidados. Todavia, o condutor e José (o rapaz que me ajudou a pegar a mulinha pela manhã)  só reapareceram algum tempo depois. Marcindo puxava um um cavalo quarto de milha alazão muito bonito. Ele certamente era a carga mais valiosa que estávamos transportando. Talvez valesse mais do que os outro 12 bois juntos. Por isso seguiria preso no buçal.
    A tarde se aproximava de seu fim e eu já estava ficando exausto da extensa cavalgada. Sentia dores nas pernas e nas costas, e mais uma vez estava ficando sem água. Marcindo disse que estávamos atrasados e que havia o risco de só chegarmos de noite no local onde iríamos pousar. Então, enviou José e eu para preparar o lugar enquanto ainda havia alguma luz. Imediatamente deixamos os outros para trás e nos dirigimos, num trote rápido, para o final do aterro.
     José era sempre irreverente. O seu jeito de falar, tão rápido que não dava para entender quase nada, era hilário. Aparentava ter mais de 30 e muita prática em comitivas. Tanto que era o braço direito do condutor e conhecia muito bem a região.
     Finalmente chegamos ao fim do aterro. O local, conhecido como Ditão era comumente usado por comitivas. Tinha um cercado onde era possível "guardar" a boiada (chamam de mangueiro boiadeiro). Também, árvores frondosas, bem ao lado do cercado, criavam um bom abrigo para o acampamento. Vestígios mostravam que comitivas estiveram ali recentemente, provavelmente alguma cruzamos no caminho. 
     Desarreamos as montarias e soltamos os animais ali mesmo. José explicou que teríamos dificuldades para encontrar bons lugares para armar as redes. Embora as árvores do acampamento fossem grande e com muitos galhos, ficavam muito distantes umas das outras. Não havia onde amarrar. (Continua)       

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