29 de julho de 2008
A Aventura Começa
Nem mesmo o conforto aconchegante de um dos quartos da fazenda Corixão foi capaz de me proporcionar uma boa noite de descanso. O sono me fora roubado por nervosos pensamentos nos grandes desafios que iriam começar. Meus avós já estavam acordados tomando mate (é como chamam o chimarrão), sentados na varanda que rodeia quase toda a antiga casa de madeira. Faltava ainda algum tempo para o sol nascer, mas decidi que era melhor sair logo da cama. Não conseguiria mais dormir mesmo.
Aproveitei para conferir mais uma vez minha bagagem e ver se não estava esquecendo nada. Parece que não. Deixei então tudo enfileirando no banco comprido da varanda da frente.
Um dos peões que começavam a chegar do galpão para tomar café, ao ver as tralhas no banco perguntou quem era o viajante da ocasião.
— O Dener vai sair com a comitiva do Panta — explicou meu avô com um tom orgulhoso na voz. Ouvir ele falar daquele jeito também me deixava orgulhoso, embora os peões olhassem com cara de: "isso não vai dar certo".
O antigo trator modelo Ford 6600 de cor azul parou bem em frente ao colchete (um tipo de divisão de cerca feita com arames e caibros. Também é conhecido como simbra.) Dei um forte abraço em dona Dê (minha avó) e um "até amanhã!" (era costume dizer "até amanhã!" independente da quantidade de dias de ausência), para os peões. Depois carreguei as tralhas no reboque. Ainda era noite e os fachos de luz do "fordinho" rasgaram a escuridão em direção ao leilão com seu Belo (meu avô) na direção.
O leilão do Corixão não é longe. Deve dar uns três quilômetros. Portanto a viagem foi breve. E pelo jeito chegamos muito cedo.
Apenas dois homens tomavam mate ao lado de um pequeno fogão à lenha feito com uma armação de metal. Sobre a armação havia uma chaleira com a água usada no mate, um bule de café e uma leiteira, que presumi que tivesse leite.
— Chega pra cá! — um deles gritou acenando.
— Bom Dia! Vim trazer o rapaz — explicou meu avô.
— Vamo tomar um café! Chega pra cá! — insistia o homem para meu avô. — Menino, pegue suas tralhas e ache um lugar pra pendurar por ai! Depois venha tomar café também!
Pelo jeito esse ai dever ser o chefe. Pensava enquanto, desajeitado, tentava descarregar meus pertences tendo que, ao mesmo tempo, segurar a lanterna.
O acampamento estava montado sob grandes pés de sucupira e, ao redor, haviam muitas tralhas penduradas em varais improvisados com tiras de couro e pedaços de taboca que iam de uma árvore à outra. Por sorte achei um pequeno espaço vazio onde pude pendurar as minhas coisas copiando a maneira como as outras estavam dispostas. Quando voltei para perto da fogueira meu avô já estava se despedindo.
— Já vou indo. Tenho que tirar leite ainda. Até amanhã pra vocês! — Disse antes de me dar um abraço e se dirigir para o trator. Antes da partida ainda foi possível ouvir a voz do chefe dizendo:
— Preocupa não, seu neto vai voltar um peão de boiadeiro! (Continua)
Aproveitei para conferir mais uma vez minha bagagem e ver se não estava esquecendo nada. Parece que não. Deixei então tudo enfileirando no banco comprido da varanda da frente.
Um dos peões que começavam a chegar do galpão para tomar café, ao ver as tralhas no banco perguntou quem era o viajante da ocasião.
— O Dener vai sair com a comitiva do Panta — explicou meu avô com um tom orgulhoso na voz. Ouvir ele falar daquele jeito também me deixava orgulhoso, embora os peões olhassem com cara de: "isso não vai dar certo".
O antigo trator modelo Ford 6600 de cor azul parou bem em frente ao colchete (um tipo de divisão de cerca feita com arames e caibros. Também é conhecido como simbra.) Dei um forte abraço em dona Dê (minha avó) e um "até amanhã!" (era costume dizer "até amanhã!" independente da quantidade de dias de ausência), para os peões. Depois carreguei as tralhas no reboque. Ainda era noite e os fachos de luz do "fordinho" rasgaram a escuridão em direção ao leilão com seu Belo (meu avô) na direção.
O leilão do Corixão não é longe. Deve dar uns três quilômetros. Portanto a viagem foi breve. E pelo jeito chegamos muito cedo.
Apenas dois homens tomavam mate ao lado de um pequeno fogão à lenha feito com uma armação de metal. Sobre a armação havia uma chaleira com a água usada no mate, um bule de café e uma leiteira, que presumi que tivesse leite.
— Chega pra cá! — um deles gritou acenando.
— Bom Dia! Vim trazer o rapaz — explicou meu avô.
— Vamo tomar um café! Chega pra cá! — insistia o homem para meu avô. — Menino, pegue suas tralhas e ache um lugar pra pendurar por ai! Depois venha tomar café também!
Pelo jeito esse ai dever ser o chefe. Pensava enquanto, desajeitado, tentava descarregar meus pertences tendo que, ao mesmo tempo, segurar a lanterna.
O acampamento estava montado sob grandes pés de sucupira e, ao redor, haviam muitas tralhas penduradas em varais improvisados com tiras de couro e pedaços de taboca que iam de uma árvore à outra. Por sorte achei um pequeno espaço vazio onde pude pendurar as minhas coisas copiando a maneira como as outras estavam dispostas. Quando voltei para perto da fogueira meu avô já estava se despedindo.
— Já vou indo. Tenho que tirar leite ainda. Até amanhã pra vocês! — Disse antes de me dar um abraço e se dirigir para o trator. Antes da partida ainda foi possível ouvir a voz do chefe dizendo:
— Preocupa não, seu neto vai voltar um peão de boiadeiro! (Continua)

Parabéns pelo livro meu truta abraç do seu amigo Cmte Sandro piloto agricola.
ResponderExcluirAow Cmte, obrigado pela consideração. Eu acho a sua profissão a melhor que existe. Um grande abraço parceiro velho!
Excluirfico imaginando a cabeça a mil...altas expectativas...
ResponderExcluirPra ser sincero eu tava "beeeeeeeeeem" pessimista nesse começo de viagem. Tinha certeza que ia dar algum problema. Não vou dizer pra não estragar a surpresa... rs... Abç
ExcluirTop demais, parceiro. *-* Torço por vc!
ResponderExcluirVindo de vc Tays eu me sinto ainda mais importante. Gracias e Besos!
ExcluirGrande Dener, excelente trabalho, Jornalismo é isso é acompanhar uma história, é viver aquele momento e depois relatar a veracidade dos fatos, Parabéns!!
ResponderExcluirE os frutos são comentários como o seu. Obrigado.
ExcluirParabéns Mano por nos levar junto de ti nessa viajem!!
ResponderExcluirAbraços!!!
Modesto seu nick. rs. De todo jeito, valeu brother. Eu é que devo agradecer pela atenção. Abç
ExcluirParabéns Mano veio!!!
ResponderExcluirObrigado por nos levar juntos nessa viajem atemporal!!!
Grande abraço do seu irmão mais bonito!!
Muito bom, to começando a ler... a gente fica preso na história, e outra, a música poeira branca, pra mim é a mió do mundo....
ResponderExcluirObrigado Mario, espero mesmo que você fique preso na história. Temos uma longa viagem pela frente, às vezes é meio cansativa, mas uma grande aventura. A maior que eu vivi — até hoje. Abraço
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