1° de Agosto de 2008
A Fazenda Fantasma
Que Deus não permita que chova. Altas horas da madrugada e eu bastante receoso com alguns trovões que ressoavam distantes. Entretanto, o que me acordou não foram os trovões, mas o vento, que àquela altura já havia levantado as bandas do mosquiteiro, deixando-o escancarado. O frio era quase insuportável. Ao menos havia a certeza de que, com aquele tempo, não havia mosquito que conseguisse voar. Até os morcegos já estavam entocados de volta no miolo da árvore. A escuridão total faziam os relâmpagos parecerem mais intensos, dando a impressão de que a qualquer momento ia começar a chover, embora as nuvens de tempestade estivessem muito distantes.
Os companheiros começaram a se levantar e a guardar as tralhas. Um tanto contrariado, fiz o mesmo. Aparentemente o mês de agosto chegava trazendo maus agouros para os peões. Para mim ficou ainda pior quando vi meu baixeiro, que estava estendido logo abaixo da entrada da toca dos morcegos, cheio de sujeira que os bichos deixaram na estripulia da noite. Erro meu, por não prever que aquilo ia acontecer.
Depois de guardar as coisas e de bater, por um um bom tempo, o baixeiro contra o tronco da árvore, para tirar a sujeira, fui até a beira do fogo, onde Kelé e Marcindo já estavam reunidos.
— São Pedro tá querendo fazer arruaça, jornalista! — ironizava o condutor enquanto segurava o chapéu, de cócoras, ao lado do fogo da trempa.
— Sera que essa chuva vem, seu Marcindo? — perguntei.
— Muito difícil. Isso ai é só pra acordar a gente mais cedo.
Enquanto isso Kelé trocava de posição algumas chapas de metal que serviam justamente para proteger o fogo de ventos muito fortes. Sobre o fogão havia o bule de café e a chaleira de água do chimarrão.
— Tome café, jornalista! Tá no ponto, acabei de fazer. (continua)

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